Qual é o papel de uma pessoa de 20 anos na sociedade? Essa resposta vai variar de acordo com raça, classe social e família desse indivíduo. Entretanto, no geral, o que é esperado e cobrado é que essa pessoa seja — ou se torne — um estudante universitário, e que a maioria trabalhe para se sustentar. Contudo, milhares de jovens brasileiros recebem apoio familiar para terminar seus estudos, mas recentemente observei as dificuldades que esses jovens — inclusive eu — sentem para se tornarem adultos aos olhos da sociedade.
Nosso país foi criado em um contexto colonial, em que adolescentes se casavam e formavam uma família: o marido seguia um ofício e a mulher era dona de casa. Após essa época, as coisas não mudaram muito; porém, a partir desse momento, os filhos dos pobres passaram a ter a possibilidade de ascender socialmente e dar melhores condições às suas famílias por meio da educação, e as mulheres puderam ser algo além de donas de casa.
E quais eram os ritos de passagem ou acontecimentos fixos da transição da infância para a fase adulta desde o Brasil Colônia? A primeira coisa que me vem à mente é o álcool; a segunda, o tabaco; a terceira, a administração dos bens da família, caso você viesse de uma família rica — ou ter sua própria renda, caso não viesse, ter sua própria renda— e, claro, para as mulheres, a menstruação e ter filhos, que, convenhamos, tinham o mesmo motivo de importância.
A partir do cumprimento desses ritos, você tinha voz: sua alegria era relevante, sua raiva e indignação eram levadas em conta, e sua tristeza era uma lástima. Mas o que acontece quando uma sociedade evolui, esses pré-requisitos para se tornar adulto deixam de fazer sentido, não é mais normal se casar jovem, é reconhecido que ter filhos sem estabilidade financeira é um ato irresponsável, o sexo já não é algo novo nem mesmo desejável, e os vícios são abandonados pela busca de uma vida saudável? Principalmente quando, antes de qualquer coisa, a primeira grande conquista que a maioria dos jovens busca é a graduação.
O que acontece é que os jovens que estudam, não trabalham, não possuem relacionamentos, não bebem, não fumam e não têm filhos acabam não tendo nenhuma conexão com a realidade de um adulto das gerações anteriores, tornando quase impossível uma compreensão total de quem eles são para os mais velhos.
Este post não é para os 40+, e sim para você que é esse jovem — principalmente as mulheres, que são duas vezes mais infantilizadas porque usam rosa e gostam de Barbie.
Nós somos, em maioria, filhas e filhos de mulheres que nos tiveram com 20 anos. Nós sabemos o impacto e as consequências que elas sofreram por serem mães nessa idade, muitas vezes sem escolaridade ou graduação. A maior prova disso é que a média de mães de 20 anos nos anos 2000 era de 1 a cada 4 mulheres; de acordo com o IBGE, a média no final de 2025 é de 1 a cada 23 mulheres.
Nós somos filhos e parentes de alcoólatras, fumantes e viciados. Somente nós sabemos o que já vimos, passamos e ainda precisamos ver pessoas que amamos passando. Sessenta e quatro por cento da geração Z não bebe.
E o motivo para que eu esteja falando isso é a necessidade de demonstrar que não é certo nos julgarmos pela régua das gerações anteriores. Nós estamos criando um novo jeito de viver, de agir e de pensar, que às vezes pode não ser tão bom, mas essa é a régua criada pela nossa geração.
Não se deixem medir por gerações que não vivem como a sua. Esse movimento inconsciente da nossa geração é resultado do que aprendemos a não fazer com as outras. Não se deixem infantilizar. Sintam orgulho do que são e do que representam. Nós seremos os exemplos e o aprendizado da próxima geração. Conforme as gerações forem passando, elas repetirão as coisas boas e aprenderão com as ruins.