A morte é melhor que a vida (Parte 03)~~~
Denise on~
Um quarto que lembra um dos vídeos de apresentação de mansões de luxo da Mônica.
Uma secretária misteriosa sentada à minha esquerda e minha mente prestes a explodir.
Finalmente entendo pessoas com síndrome do impostor, só que, no meu caso, sou realmente uma impostora.
É uma sensação bem mais gratificante do que eu esperava. Mudar de corpo e perceber que tenho uma segunda chance de vida e ainda sou herdeira… riririri.
Após apagar em meu quarto, no meu corpo velho e capenga de 22 anos, acordei dentro da novel “O príncipe destemido” que minha amiga recomendou.
Esperei o desespero esmagador, a revolta, o luto por todos que deixei para trás, mas a conclusão a que cheguei é que sou uma mulher ingrata.
Não poderia estar mais animada com minha nova, empolgante e rica vida.
Não sou a songamonga da Luiza, que não sabia seu lugar. Felizmente, sou uma inteligente estudante universitária que conhece muito bem o lugar que o corpo que possui ocupa.
O jeito mais eficaz para viver uma boa vida é não chegar nem perto do casal protagonista.
O que não deve ser muito difícil, já que a noiva original do lixo do protagonista era a irmã mais velha da Luiza, Megan.
Para toda a minha insatisfação de vida, Megan era apaixonada por um colega de faculdade quando seu pai acordou o casamento entre ela e Dominick Bianchi Esposito — o protagonista lixo —, e Luiza, que amava sua irmã ao ponto de perder o bom senso, nos fez o favor de se oferecer para se casar no lugar dela, porque a irmã merecia viver um grande amor.
É como diz aquele ditado: “todo dia sai um malandro e um otário de casa”.
Megan nem ficou com o cara, mas a minha teoria é que Luiza desenvolveu uma quedinha pelo noivo da irmã, no caso, o homem que ela criou na própria mente a partir de boatos que ouviu os subalternos do seu pai falarem.
Ela não poderia imaginar o que ele se tornaria em sua vida. Enfim, de acordo com meus planos, nada disso vai acontecer, e boa sorte para Megan.
E essa zelosa secretária é quem parece ser a pessoa que mais vai ser útil para minhas movimentações.
— Qual o seu nome?
— Perdão, senhorita?
— Eu disse: qual. o. seu. nome?
A secretária contraiu rapidamente as sobrancelhas, me olhou nos olhos e falou:
— Por favor, senhorita, não aja assim.
— Eu só quero saber o seu nome.
— Eu lhe acompanho há dois anos, senhorita. Sei que, quando se sente chateada ou encrencada, faz de tudo para escapar da situação, mas não vai ter doença no mundo que te liberte desse noivado. Você fez um escândalo para libertar sua irmã dele, todos a veem com bons olhos por essa atitude. Se você sair desse quarto e expressar que deseja se retirar do acordo, todos vão saber que você quis o noivado para si, não por querer proteger sua irmã, mas porque gostava do noivo dela.
A surpresa foi tão grande que dei um pulo da cama. Luiza já estava noiva quando encarnei!!! Preciso viver esse luto e reorganizar minhas ideias.
— Você não está entendendo, não quero desfazer o noivado, mas estou com amnésia, entendeu?
A secretária me olhou cada vez mais confusa, até que olhou para baixo e ponderou por um momento.
— Não sei o que está planejando, senhorita, mas, desde que não manche sua honra, vou apoiá-la. Não é porque Dominick tem uma amante que ele tem o direito de te tratar como quiser. Bom, vamos recomeçar: me chamo Larissa Torres Alves e sou filha do secretário da sua avó paterna. Minha família serve à sua há três gerações.
— Obrigada por estar do meu lado, muito prazer!
Ela sorriu, vencida.
— Muito prazer, senhorita. Por favor, cuide de mim.
— Agora você poderia me deixar um pouco só? Tenho muito o que pensar.
— Tudo bem.
Após Larissa sair, caminhei até a sacada do meu quarto e observei, desolada, a floresta onde a propriedade se encontrava no centro. Eu já estava me preparando para meu funeral enquanto pensava em uma forma de me livrar do destino cruel que me esperava a um altar de distância.
O que eu poderia fazer?
O que?
Quais são minhas possibilidades?
Espera.
Muita calma.
Já sei…
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