A morte é melhor que a vida (parte 2)~~~
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Querido e gentil leitor,
recentemente me foi recomendada uma obra chamada O Príncipe Destemido, que narra a história de Emanuel Castillo, um jovem de 26 anos — alto, de rosto quadrado, olhar penetrante, com olhos, cabelos e barba castanhos. Em suma: um verdadeiro galã italiano.
A trajetória desse belo herdeiro da máfia toma um rumo trágico quando ele é obrigado a se casar com uma jovem chamada Denise Rodrigues Guisande da Silva, oriunda de uma família emergente do Brasil. Ela não era ruim — pelo contrário: bonita, elegante, inteligente e, acima de tudo, portadora de vantagens estratégicas para a família dele.
Mas o que poderia ele fazer, se já se encontrava completamente apaixonado por sua antiga amiga de faculdade?
Restava-lhe impor uma barreira entre si e a intrusa que ameaçava seu “amor verdadeiro”.
Infelizmente, apenas um dos dois sairia vitorioso.
E seria ele.
Comentário de Denise
Ou seja: um covarde. Um filho da puta que decidiu arruinar a vida de uma jovem por causa de outra com quem ele nem poderia ficar — a menos que abrisse mão do próprio poder.
O típico merda que não tem coragem de abandonar privilégios por quem ama… e, em vez disso, destrói todo o resto ao redor.
E, sinceramente? Que escrita baixa.
Parece que a autora não lê o que escreve. Era pra ser fluido, mona — não esse pseudo-filosófico arrastado. Se vai se adaptar a um estilo novo, pelo menos se esforce.
Comentário da Escritora
— Você acredita que faria melhor?
Denise
— Escrever, talvez não. Mas como pessoa? Com certeza. Não faz sentido nenhum uma mulher se submeter a um papel tão patético quanto o que você deu à sua protagonista — principalmente tendo poder. Uma mulher rica, bem resolvida, amada pela família… essa conta simplesmente não fecha.
Escritora:
— Se você estivesse no lugar dela, com os mesmos recursos… o que faria? Que rumo daria à história?
Denise:
— Não sei exatamente. Mas uma coisa eu garanto: eu poderia até cair… mas cairia atirando em cada um deles.
Escritora:
— Sabe… é difícil ser escritora.
Às vezes queremos criar algo mais elaborado, mais forte… mas só conseguimos oferecer à história aquilo que temos dentro de nós.
E eu… não tenho muita autoconfiança.
Denise:
— Pesou o clima agora, amiga… kkkkk.
Até me senti meio mal por ter sido tão seca.
Mas, olha… já passou da hora de parar de escrever história exaltando homem que humilha mulher só porque “não gosta dela”.
E pior: mulher tendo a vida destruída porque um alecrim dourado não a escolheu?
Isso é o cúmulo.
Escritora:
— Mas são essas histórias que fazem sucesso…
Eu só queria um espaço no mundo das novels.
Queria criar um protagonista masculino pelo qual todas se apaixonassem.
Denise:
— Amiga… esse tipo de homem já tá ultrapassado.
E outra: se você observar bem, as protagonistas só são realmente humilhadas quando são construídas como “merecedoras” disso — tipo vilãs cruéis, bastardas, gente moralmente questionável.
E mesmo assim, na maioria das vezes, os caras nem têm autoridade pra tratar elas mal em público.
Você tinha algo muito melhor nas mãos.
Podia ter explorado essa personagem.
Ou então… feito essa história medíocre de propósito — só pra fazer a protagonista voltar no tempo com memória de tudo.
Aí sim.
Aí você mostrava que mulher não vive de homem.
Que a gente é emocionalmente mais forte, intelectualmente mais afiada… e perfeitamente capaz de construir felicidade independente de qualquer “príncipe”.
Escritora:
— E se você me ajudasse a escrever essa segunda parte?
Denise:
— EU?
Olha… eu adoraria. Mas eu não tenho conhecimento nenhum, nem experiência.
Por onde a gente começa?
Escritora:
— Não se preocupe.
Dessa vez… a história vai acontecer de forma natural.
Narrador on~
E então, um trovão rasgou o céu.
As luzes do quarto de Denise se apagaram de uma só vez.
Assustada, ela se levantou — mas o corpo não respondeu como esperado.
O chão veio rápido.
Escuro.
Pesado.
Distante.
E, antes que pudesse reagir, uma voz feminina, suave e quase etérea, sussurrou:
— E então se fez trevas…
— …e das trevas nasceu a luz.
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