A morte é melhor que a vida~~~
Denise on~
“Quarta-feira de abril de 2025: o dia amanheceu lindo, pássaros cantando, o vento gelado contrastando com a temperatura quente do dia, o campus estava repleto de borboletas amarelas. Quando entrei saltitante na sala 1 do bloco A, meu digníssimo professor virou para mim e perguntou:
— Qual é o seu problema?
Na hora, senti todos os músculos do meu corpo se contraírem e uma queimação surgir a partir do meu peito e se direcionar ao meu estômago. Reuni toda a minha coragem e falei, enquanto me esforçava ao máximo para não desviar os olhos do meu professor de matemática elementar.
— Perdão, professor? Aconteceu algo?
— Aconteceu. Me sinto desrespeitado por você.
— Será que o senhor poderia me explicar?
— Sabe, Denise, você claramente tem dificuldade com matemática. Já reprovou em muitas matérias. Entretanto, nenhum professor entende o porquê, e eu sempre me perguntei o que você fazia que deixa todos os seus professores extremamente surpresos por você sempre reprovar. Dito isso, a resposta é muito simples: você senta na primeira fileira da sala de aula, anota cada fala do professor, inclusive adiciona comentários para o seu “eu” do futuro melhorar, participa das aulas, responde às atividades, mas é extremamente insegura. Você mal consegue olhar para mim ao falar e também não estuda em casa, e por isso reprova. Denise, você claramente se esforça na faculdade, mas, depois que chega em casa, morga. Você precisa colocar na sua cabeça que a única forma de passar é estudando o dia inteiro, e não esperando que seu raciocínio matemático se desenvolva do nada. Dito isso, melhore.”
Um leve tapa na cara no início da temporada de verão. Infelizmente, reprovei naquele semestre.
Ser estudante no Brasil é uma das situações mais frustrantes da minha vida. Aqui, você é enfiado na escola porque “tem que ser assim”. Não lhe dão nenhuma perspectiva do que acontece após o ensino médio. O único contato que nós temos com o “mundo dos adultos” é por meio de influencers. Assim, a vida parece muito fácil, tudo é de uma hora para a outra, não existem processos, só meios e fins. E foi assim que saí do ensino médio sem perspectiva de quem poderia ser e entrei na UFRPE de Belo Jardim para cursar Engenharia da Computação.
Sendo extremamente teimosa, escolhi um curso no qual tenho mais dificuldade na vida — exatas. Engenharia é um curso que, junto com o diploma, te promete humildade. Não teria como não ter, após sermos humilhados constantemente: pela matéria, por nós mesmos, pelos professores…
Viver sua vida seguindo um roteiro, com problemas psicológicos, medos, sendo extremamente insegura e não ter nenhuma paixão que te segure à vida é realmente desafiador.
Algo que tem permitido que meu coração acelere as batidas melancólicas do meu cotidiano é a literatura coreana. E, quando falo literatura coreana, quero dizer manhwas e novels. Também li recentemente o meu primeiro livro de uma autora coreana, que se chama “Queria morrer, mas no céu não tem tteokbokki”. Foi reconfortante, mas eu particularmente tenho preferido manhwas, porque, como disse um crítico literário na minha análise sobre a trilogia da Divina Comédia:
“Seu gosto popular e conhecimento precário da literatura são suas barreiras para desenvolver uma mente profunda e intelectual”.
Expondo essa fala, eu quis dizer que, recentemente, meu gosto tem sido popular — quando digo recentemente, quero dizer nos últimos 14 anos dos meus 21 — e está tudo bem. Aceito minha posição inferior aos grandes leitores de clássicos literários, que aparentemente não são determinados clássicos pelos leitores ou pela academia, e sim porque são velhos, ninguém os entende e são chatos.
Voltando à questão, após uma aula interminável de matemática elementar com meu novo professor maconheiro, cheguei na copa da faculdade parecendo um zumbi: meu rosto manchado e minhas olheiras marcadas em algum tom de roxo. Foi quando minha amiga me indicou um manhwa mequetrefe sobre um príncipe da máfia italiana que é obrigado a se casar com uma songamonga de uma família mafiosa brasileira que está tentando se estabelecer no mercado. Inclusive, achei a autora uma lambe-botas de gringo. Se era para escrever um manhwa envolvendo o Brasil, ela sendo uma escritora brasileira… Outra curiosidade é que eu não sabia que estrangeiros podiam se apropriar do termo manhwa; achava que aqui no Brasil seriam novelas em quadrinhos com um traço diferente. No próximo capítulo, posto minha análise sobre a obra e minhas considerações finais.
Deixe um comentário