Na minha curta vida, conheci poucas definições de vazio, o de um espaço vazio, de algo vazio, de alguém vazio e do seu próprio vazio.
De todos os vazios que conheço, o meu próprio vazio é o com quem tenho mais intimidade.
Posso me perguntar mil vezes quando foi a primeira vez que senti um vazio dentro de mim, mas é mais fácil lembrar quando foi a última vez.
Engraçado que nem sempre fui tão familiarizada com o vazio.
Não fui uma criança que precisava de companhia, sempre fui autossuficiente, se me desse uma folha e um lápis, passava uma semana entretida.
Lembro quando mainha cometeu o erro de alimentar meu hábito de leitura rs.
Eu passava a maior parte do meu tempo no meu celular, aí irritava ela e ficava de castigo, aí ficava com os livros, e então irritava ela e ela me deixava sem livros, e então eu ficava com a minha mente.
Nunca me senti só na infância e nem na adolescência, não possuo uma única lembrança de ter sentido necessidade de outra pessoa nessa época.
Inclusive, só vim descobrir aos 16 anos que minha melhor amiga morava em recife e só ia para Arcoverde de vez em quando, é engraçado lembrar disso, na maioria das vezes que eu brincava com outras crianças, era elas quem me chamavam, eu quase nunca ia até elas.
Tenho uma lembrança de uma vez que fui chamar minha melhor amiga para brincar, a mãe disse que ela estava em recife e eu só pensei “Uh! Viajando em semana de aula, sortuda”.
A lembrança dessa pequena malu me faz questionar, em que momento o vazio surgiu dentro de mim? Quando me tornei tão solitária de mim mesma? O que é o vazio?
Cheguei a conclusão que o vazio é uma prisão, que te faz perseguir atenção dos outros para esquecer que ele existe.
Quando o vazio aparece, ele pede qualquer coisa. Atenção, amor, mensagens, elogios, distrações. Essas coisas silenciam sua presença por alguns instantes.
Às vezes o vazio te torna um demônio que te faz sair na rua como um buraco negro, sugando tudo que os outros podem te dar, na busca de se tornar o suficiente.
O problema? É que nem o vazio sabe do que ele precisa para ser completo, para existir.
É como se você fosse milhões de fragmentos juntos e você parece montado, mas sente que tem um fragmento, um único, que não está lá.
O vazio traz a pior das solidões, a de não se sentir acompanhado na própria companhia.
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