Trava no coração (Parte Final)~~~
Denise/ Luiza on~
A manhã estava fria e com uma beleza melancólica, a cores estavam frias, às árvores agitadas pelo vento e os empregados iam e vinham para concluir os preparativos da recepção do meu querido noivo.
Larissa me acordou às cinco da manhã para ficar pronta, que a minha metade da laranja pode chegar a qualquer momento.
Ontem vim dormir um pouco depois do jantar oficial, os irmãos da Luiza são intrigantes, cada um parece ter muita confiança e personalidade. Além disso, claramente eles carregam às intrigas maternas e familiares.
Foi divertido ver como funcionam uns com os outros.
— Senhorita, seu noivo chegou.
Inspirei até sentir o limite do ar em meu peito, me virei para Larissa a encarando com determinação.
— Estou imponente Larissa?
— Se eu não estivesse acostumada com sua aura, com certeza teria desmaiado assim que a visse de tão esbelta.
Disse rindo levemente, ela se aproximou de mim lentamente, segurou minhas mão nas suas e me encorajou:
— Você se saíra bem senhorita, você é bonita, inteligente e nasceu com a bunda virada para a lua.
Não aguentei e cai na gargalhada a afastando.
— Vai cagar menina.
— Mas é a verdade, tudo sempre acontece exatamente do jeito que você quer.
— Que essa sorte continue.
Caminhei até a porta, segurando as maçanetas por um segundo enquanto observava às gravações de girassóis na madeira do quarto da Luiza. Eu sempre gostei de girassóis também. Eu consigo me ver com Luiza em um lindo e ensolarado campo de flores.
Chegando a sala de recepção da minha “Mãe”, ouço risadas vindo da sala e vejo de relance meu pai, João Rodrigues, com um terno preto lindissimo, barba recém feita, sapatos lustrados, um relógio de milhões e o cabelo lambido para trás.
Entrei com a cabeça erguida e então meus olhos se encontraram com os dele.
Dominick…
O observei lentamente, um homem extremamente bonito, alto, com uma energia avassaladora, e seus olhos…extremamente escuros, como um poço bem fundo.
— Filha! Entre.
Cada passo adiante que dei foram tremidos, desajeitados, e tenho certeza que vi um micro sorriso no rosto do lindíssimo babaca Bianchi Esposito. Tomei consciência da minha coluna curvada. Da mancha na minha bochecha causada pela oleosidade do meu cabelo e odiei Dominick por estar aqui enquanto tudo isso está acontecendo.
— Bom dia senhorita Rodrigues.
A voz aveludada e grossa dele me arrepiou da ponta da unha do pé, até o primeiro fio de cabelo da minha cabeça.
— Bom dia senhor Bianche.
— Não sou tão velho para ser um senhor.
Deu um sorriso esse filho da puta.
— Sim, peço desculpas Dominick.
— Dominick Bianchi, você realmente cresceu muito em comparação a última vez que o vi.
— Eu devia ter 14 anos Don João.
— Sim, quando selei meu acordo com seu pai. Você está comprometido com minhas filhas, com minha família, desde os 14 anos.
O meu pai o olhou profundamente e senti a parte de trás da minha costa gelar. E sinto que não fui a única, Dominick me olhou rapidamente e depois voltou o olhar para meu pai e o segurou.
— Um compromisso que com o tempo se tornou muito mais que um acordo senhor, hoje posso dizer com segurança que o sinto como um pai. Sinto lealdade pela sua família e muito respeito e admiração por todos os membros do seu clã.
Escorregadio feito sabonete, falso.
— Gostaria de um café sen-… Digo, Dominick?
— Sim senhorita Rodrigues, eu agradeceria muito um bom café brasileiro com esse clima tão agradável da manhã.
— Acabei de pensar que já que vou chamá-lo de Dominick, você também pode me tratar informalmente e me chamar de Luiza.
— Então estamos acordados, Luiza.
— Fico tão emocionado com vocês se dando tão bem, façamos assim, vou mandar servirem o café da manhã e vocês comem juntos sozinhos, é bom que se conhecem e começam um vínculo, como eu poderia dizer? Treinam uma boa convivência.
Treinar uma boa convivência? Que romântico papai.
— Por mim seria perfeito Don João.
— Por mim tudo bem papai.
— Então tenham uma boa manhã.
Papai foi embora e por mais que minha mente tentasse lembrar do plano, tive dificuldades para encontrar as palavras certas.
— Que tal nos sentarmos para esperar a comida mais confortáveis?
Olhei para ele quase que assustada e dei um meio sorriso desajeitado enquanto cambaleava até às poltronas no centro da sala.
— Você parece meio diferente senhorita Luiza.
— Como assim? – Perguntei ouvindo meu coração.
— Seu olhar…Parece vago, da última vez que a vi ele era determinado, ameaçador, como o de uma pessoa com objetivos claros em mente.
Não pude evitar rir, na verdade…Gargalhei.
— Obrigada Dominick, você me deixou mais leve com sua honestidade.
— Como assim?
— Estava nervosa se teria que lidar com seus desvios de caráter hoje, mas pela forma lúcida que está falando, vejo que não terei com o que me preocupar.
Ele se remexeu na cadeira e deu um sorriso forçado.
— Já me arrependi de ter ficado preocupado, é por isso que dizem que não devemos ser empáticos com nossos inimigos.
— Sou sua inimiga? Pensei que nutria ótimos sentimentos por todos os membros do clã Rodrigues, mas se bem que você também disse que era leal e respeitoso, o que nos dois sabemos que não é verdade.
— Sim, que bom que tocou nesse assunto, sobre aquela noite vergonhosa…Eu gostaria de me desculpar.
Ele pediu desculpas? Não lembro disso ter acontecido na novel.
— Pelo quê exatamente? Minha memória está falha recentemente.
Ele colocou a mão para apoiar o queijo e seus olhos me olharam divertidos.
— Por desrespeitá-la, por tratá-la como um meio para um fim e ignorar que assim como eu, você possui sentimentos, desejos e ambições e ignorar isto seria como torná-la nada mais que um objeto, algo que eu nunca faria, pois não foi isso que minha mãe me ensinou, ela me criou muito melhor que isso. Está bem?
— Está perdoado, mas eu gostaria de voltar a esse assunto, já que você o citou claramente, você já comunicou a sua bela…alguma coisa, que não será possível possuírem qualquer envolvimento?
— Bem…
— Deveria comunicá-la rápido, decepções amorosas doem menos quando a outra pessoa é clara.
Ele parou, simplesmente se alinhou a poltrona, colocou os braços nos braços da poltrona e ficou me olhando com aquele rosto convencido. Ele estava rindo de mim? Me menosprezando? Eu o odeio por reagir assim.
Fiquei sem saber o que falar, então entraram às empregadas com a comida e ele se levantou.
— Tô morto de fome.
Meu queijo poderia ter caído no joelho se fosse representar o que senti nesse momento, ele se acha tanto? Tão poderoso? Tão bonito? Ele tem realmente a total certeza de que às coisas serão sempre do jeito que ele quiser? Sem consequências?
Me levantei já decidida ao que ia falar, quando a última empregada saiu da sala, o fitei com raiva, cruzei meus braços e me escorei na cadeira.
— Você é muito convencido.
— Eu? Nem fiz nada.
— Não fez nada? Você ignorou minhas exigências e está seguindo a vida como se não tivesse responsabilidades e nem consequências para suas ações.
Ele riu.
— Quer saber? Você quer que eu assine seu acordo ridículo?
O sorriso dele sumiu e ele olhou para mim sério.
— Pensei que o acordo estava fora de questão, que era desrespeitoso.
— E é, nas condições em que eu não ganhava nada com ele.
Sorri.
— E então, quais são suas condições?
— Você sempre vai dizer sim ao meu pai.
— Está louca? Eu sei que você é muito jovem para entender, mas aceitar isso, seria a mesma coisa de entregar tudo que é da família Bianchi para a família Rodrigues.
— Não me subestime, eu sei exatamente o que estou lhe exigindo, diferente de você que não sabe o que me exige, agora é você se questionar o quanto vale o seu amor.
— Muito fofo a sua ingenuidade pequena Rodrigues. Eu nunca aceitaria e nem aceitarei esse acordo. O objetivo desse casamento era unir poderes e não destruir a minha família.
Ele falou firme, com o rosto tranquilo e uma aura de certeza avassaladora do valor que tem, eu respeito isso.
— Muito fofo é você ainda não ter assimilado que não está mais em uma posição de poder e sim de controle de danos.
Me levantei e o lancei um último olhar.
— Mas bem, respeito sua posição. Espero a cabeça dessa vadia em uma bandeija de cristal como presente de casamento.
Caminhei leve até a porta, fiz exatamente o que deveria fazer e de uma forma ou de outra, agora já tinha passado pela transição, esse corpo é meu e eu irei comandar, não importa a situação que me encontre, a pena é que essa seria a mais fácil se ele tivesse aceitado o acordo.
Quando eu estava prestes a passar pela porta, ouvi um:
— Eu aceito o acordo.
Parei e rodei na direção dele com um sorriso radiante.
— Ótimo, vamos conversar sobre os termos.
Não acredito que um homem tão seguro de seu poder e arrogante, tenha realmente se sentido ameaçado com o que falei, mas seja lá porque ele aceitou esse acordo, desde que ele siga todas as clausulas, eu ficarei viva até o fim dessa história e alcançarei a liberdade.
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