Trava no coração (Parte 05)~~~
Dominick on~
Meu pai não descansou até me ver embarcando no avião. Não é como se eu fosse um menino que fugiria com medo; eu tenho objetivos claros.
Primeiro de tudo: achar um jeito de me desculpar com Luiza Rodrigues e, depois disso, fazê-la aceitar o acordo do divórcio custe o que custar.
As falas de Alexandro infectaram meus pensamentos. Nunca imaginei que eu fosse capaz de tratar uma mulher como venho tratando Luiza — e o amor da minha vida.
Mas é tão ruim ser ambicioso? Eu sou um dos candidatos mais fortes a suceder o meu pai. Quero poder agora e o amor a longo prazo. Entretanto, me irrita ter que tratar Luiza com consideração, sendo que ela é um meio para um fim…
Não sei mais de nada…
Alexandro~
Assim que o avião pousou em recife, um dos nossos representantes no Brasil chegou: Miguel Ferraz. Filho de um antigo parceiro de Don Massimo Bianchi Esposito, possui apenas vinte anos, mas é muito competente.
— Senhor Alexandro, seja bem vindo ao Brasil — disse, estendendo-me a mão para apertar.
— Miguel, muito bom lhe ver, já avisaram a família Rodrigues que chegamos?
— Sim, senhor. Imagino que já estivessem preparados. Praticamente a família inteira se reuniu na propriedade do patriarca. Se os relatórios estiverem corretos, apenas a esposa de Don João e sua filha Megan não estão presentes, pois Megan está finalizando a faculdade em São Paulo.
— A família toda se reuniu?
— Sim, senhor.
— Isso não me parece bom.
— Por quê, senhor?
— Essa era para ser uma reunião simples entre noivos. A família estar aqui em peso é para colocar pressão. Então, de duas, uma. — Suspirei, esfregando minhas pálpebras. — Ou Dominick foi exposto pela senhorita Luiza, ou ela está se preparando para acabar com a raça dele.
— Como assim? Por quê?
— Nada. Não é nada, Miguel.
— Senhor, achei essa movimentação da família Rodrigues bem suspeita, mas ao mesmo tempo, a filha mais nova vai se casar e pelo que consta nos relatórios, ela é muito querida por todos os membros da família, se o senhor tiver alguma informação relevante para medirmos a situação, peço que me forneça para que possamos nos preparar.
Ponderei o observando por alguns segundos, seria realmente justo colocarr a vida de tão bons soldados por causa de atitudes impulsivas de um herdeiro? Ao mesmo tempo posso estar sofrendo demais por antecedencia e nos colocar em mals lençois com o Don Massimo atoa.
Por fim… A ignorância é uma bênção. É melhor ele não saber que, por causa de um boca de sacola egocêntrico que não tem coragem de abrir mão de nada, podemos ser mortos hoje pelas mãos de Don João — ou, na volta, pelas mãos de Don Massimo.
Fui até a cabine de Dominick, enquanto ele estava em seus mais profundos sonhos e o pensamento que dominou a minha mente é que se ele morrese, agora, de ataque cardíaco, todos os meus problemas se resolveriam magicamente…
o acordei.
— Estamos com problemas, Dominick.
— Hum? Já chegamos? Está tarde. Não vamos para a casa dos Rodrigues uma hora dessas. Vá dormir e vamos às seis da manhã.
— Se eu fosse você, acordava agora e me preparava.
— Não precisa de tanto drama — disse ele, enquanto se enrolava no lençol e se aconchegava para voltar a dormir.
— Considerando que a noiva que você insistiu em tratar como burra e incapaz convocou toda a família dela para presenciar o “primeiro encontro” de vocês…
Ele abaixou o lençol com tudo, olhou para mim e seus olhos pareciam buscar compreensão através dos meus, fiquei feliz em ver que o cérebro dele está funcionando uma vez nesse mês. Por fim ele terminou encontrando às respostas na própria mente e dizendo:
— Que merda.
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