Eu sou melhor que o príncipe mafioso 07.

Trava no coração (Parte 04)~~~

Denise/Luiza on~

Acompanhei meu pai pelos corredores, sentindo as minhas costas molhadas, as pernas tremendo e sem saber o que faria.

Ao menos, se o que a Larissa disse for verdade, eu não preciso me expressar tanto e, caso o faça, não vou ser comparada a comportamentos anteriores.

E então chegamos diante de uma linda porta de madeira entalhada com desenhos de girassóis. Respirei fundo e entrei de cabeça erguida na grande sala iluminada por uma fileira de lustres luxuosos.

Uma mesa de carvalho atravessava boa parte da metade do espaço. Música tocava, e havia um enorme grupo de pessoas etnicamente diferentes, mas estranhamente semelhantes.

Um homem alto, de cabelos e olhos castanhos, com olhos puxados, aproximou-se de mim e do meu pai com um grande sorriso.

— Pai, fazem dois meses já que não nos vemos. Que saudade.

Meu pai o abraçou com força, sacudindo-o, e eu os observava, perguntando-me o que iria falar para ele, para eles, enquanto passava os olhos pelos que aparentemente eram meus irmãos.

— Kazuo! Meu filho, fiquei sabendo que sua esposa finalmente está grávida. Fico tão feliz. Após vinte anos de casamento, achei que nunca teriam filhos.

— Pai, hoje em dia as coisas não são como na sua época. É importante para as mulheres construírem suas carreiras, conquistarem suas coisas e realizarem seus sonhos, não é mesmo, pequena Luiza?

De repente, aqueles olhos castanhos acolhedores, que, embora diferentes, me passavam a mesma energia dos de João Rodrigues.

Meu peito deu uma leve acelerada, e equilibrei meu peso entre meus pés.

— Sim, sinceramente, ao menos para mim, é muito importante conquistar minhas pequenas coisas, mesmo que não tenham muita importância.

— Não se preocupe, irmã. Não importa quem esse Dominick seja, você poderá fazer o que quiser antes de ser mãe. Não permitiremos que a pressionem para fazer nada que não queira — disse uma mulher, aproximando-se de nós três.

Ela devia ter minha altura, mas, com o salto, ficou levemente mais alta. Tinha os cabelos lisos e pretos, que iam até o quadril, possuía um pescoço longo e elegante, e olhos pretos que me fizeram lembrar instantaneamente das descrições de olhos de fênix das princesas dos doramas de que gosto.

Uma mulher tão elegante, mas que não parecia muito velha. Ela devia ser uma das filhas do primeiro casamento. Quantos anos será que tinha? Vinte e três anos, mais cinco anos, mais dois… Ela devia ter uns trinta anos para cima, mas eu não lhe daria mais que vinte e cinco.

Ela se aproximou com um sorriso acolhedor e me abraçou.

— Megan foi muito irresponsável. Era papel dela, como uma mulher já quase totalmente desenvolvida e resolvida, casar-se em prol da família, não de uma criança — disse com voz de irritação.

— Irmã, não fale assim. Eu quis fazer isso com total consciência das minhas escolhas. Não me importo com coisas como amor. A única coisa que exijo, tanto da família quanto de mim mesma, é fazer faculdade e construir um negócio e um motorhome sozinha.

Ela me deu um leve tapa no topo da testa.

— Você fique calada, que os adultos estão conversando.

Nosso pai riu e, em tom apaziguador, disse:

— Filha, a Megan não fugiu das responsabilidades. Se a Luiza não tivesse se oferecido para assumir a responsabilidade, ela teria cumprido o papel dela.

Kazuo riu de lado, debochando.

— Sim, pai, você pode afirmar isso quando ela não teve que se provar. O que eu vejo é que ela foi muito bem criada com os recursos da família, vai se formar na melhor faculdade de Relações Internacionais do país, foram-lhe oferecidas as melhores oportunidades para se tornar uma das melhores profissionais da área e, na hora de pagar de volta à família, manipulou uma das membros mais jovens que poderia assumir seu lugar.

Enquanto Kazuo falava, o rosto de João ia ficando vermelho.

Quando nosso pai parecia quase falar poucas e boas a esses dois irmãos corajosos ou inconsequentes, ainda não posso definir, um homem alto, de ombros largos, cabelos castanhos, olhos verdes e rosto bem marcado se aproximou de nós, irritado.

A imagem dele era a mais diferente na sala, me excluindo, é claro. Bem diferente dos meus irmãos japoneses. Enquanto os mais velhos tinham uma imagem mais esguia e uma elegância refinada, ele possuía uma imagem maior e mais agressiva.

— Vocês dois não pensam antes de falar mesmo, não é? A maldade está nos olhos de quem vê, sabiam? O que se esperar de pessoas com o coração tão gelado quanto o dos japoneses? Somente vocês podem banalizar tanto as relações entre irmãos a ponto de acusar uma de manipular a outra.

— Esse seu discurso falso moralista só convence a sua laia. Tal mãe, tal filho e filha. O que se esperar de uma amante? — disse minha elegante irmã japonesa, destilando seu veneno tanto com as palavras quanto com o olhar.

Se essa mulher olhasse para mim dessa forma, eu sentiria a sala ficar maior do que realmente era. Provavelmente, as outras pessoas ao redor sumiriam e eu me tornaria o nada.

— Já chega.

E, com essa única frase dita em um tom firme e imponente, todos se calaram e olharam para João Rodrigues, que, pela primeira vez, se mostrava para mim como um verdadeiro Don, chefe da família Rodrigues Guisande.

— Eu não aceitei fazer este jantar para que se ofendam e destilem seu veneno. Todos aqui são meus filhos e os amo. Respeito suas relações pessoais, mas exijo que, ao menos em minha presença, sejam dignos.

— Pai… — começou o filhote da espanhola.

— Esta noite tem como único objetivo prestigiar sua irmã mais nova, que, além de altruísta, demonstrou-se muito madura e inteligente.

— Isso, realmente. Uma verdadeira mulher Rodrigues Guisande — disse minha irmã.

— Sim, Emiko, vamos deixar as animosidades de lado. Hoje viemos prestigiar nossa pequena irmã, que, embora não tenhamos muito contato, sempre que aparece ou surgem notícias, é para nos encher de orgulho e trazer prestígio à família.

Aproximou-se, distribuindo taças entre os irmãos, um irmão japonês mais parecido com Emiko, mas com linhas de expressão mais marcadas que Kazuo, embora eu desconfie que seja mais novo que ele.

— Viva à Luiza, que, embora vá se tornar uma Bianchi Esposito no nome, tem o sangue mais forte que a água. E esse sangue que corre nas suas veias é Rodrigues Guisande. Viva!

E assim todos na sala de jantar se juntaram ao meu redor e gritaram:

— Viva!

O mundo começou a brilhar, as luzes me rodearam e os rostos felizes ao meu redor criaram um momento de alívio que eu nem sabia que precisava.


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