Eu sou melhor que o príncipe mafioso 06.

Trava no coração (Parte 03)~~~

Denise on~

Essa terça-feira será provavelmente o dia mais estranho que já vivi, ou talvez o mais conflituoso. Receberemos o infame Dominick Bianche, meu noivo e meu carrasco.

Bem, possível carrasco. Não se eu puder fazer alguma coisa em relação a isso. Não será fácil me derrubar, eu não me entregarei por nada neste mundo.

Além disso, será a primeira vez que me encontrarei com a mãe da Luiza, suas irmãs, seus tios e primos. O meu maior medo é que algum deles perceba que algo não está certo com sua caçula.

Na questão da aparência, não tem erro. Felizmente, somos muito estilosas. Vesti um lindo vestido vermelho, reto e leve, movimentando-se ao vento como uma aurora boreal. Um salto preto igual ao de ontem, mudando apenas a cor. Um medalhão de ouro no pescoço, brincos discretos de bolinha dourada e uma simples pulseira de ouro no braço.

Larissa entrou me observando atentamente.

— Você está deslumbrante, senhorita.

— Você que está, Larissa. — disse, pegando sua mão e girando-a. — Onde você escondeu aquela velha que só usa terno e aqueles saltos sociais horrorosos?

Ela riu, corando, mas a verdade é que Larissa é muito bonita. Ela costuma se apagar, vestindo-se de forma sóbria para trabalhar, mas hoje estava mostrando todo o seu poder: seus lindos cabelos castanhos ondulados presos em um rabo de cavalo meio solto, com duas mechas da franja caindo sobre o rosto; seus lindos olhos verdes, intensos e fortes; sua pele branquinha com sardas; e o vestido rosa curto de princesa, a meia-calça e os saltos delicados rosados, combinados com joias em ouro rosé, a transformavam em uma verdadeira fada.

— No trabalho é necessário profissionalismo, senhorita…

— Seu pai catético te ensinou isso? Pois pode ir desaprendendo, porque eu quero ao meu lado, todos os dias, essa diva perfeita que você é.

— Não fala assim do bichinho. — E riu.

— Agora, Larissa, estou receosa.

— Por quê?

— Não quero que minha família perceba nenhuma mudança em mim.

— Sabe, senhorita, eu não queria te dizer isso, mas como você decidiu agir assim, preciso falar. — Ela suspirou e me olhou nos olhos. — Não acho que eles vão notar qualquer diferença em você.

— Como assim?

— Sua família te ama, mas você é muito quieta, gosta de fazer suas coisinhas… eles estão sempre trabalhando. Não acho que vão perceber que você mudou, porque nunca souberam quem você era.

— Achei que fôssemos mais próximos.

— Não. E como a sua mãe é diferente da mãe das suas irmãs mais velhas, você não convivia muito com elas. Seu irmão mais velho vive no mundo do seu pai e dos seus irmãos. Você sempre foi muito sozinha.

— Entendi.

Isso é um alívio, mas ao mesmo tempo muito triste. Descobrindo coisas que não estavam no livro, percebi que a Luiza era muito mais forte e inteligente do que parecia, mas também muito mais sozinha do que eu imaginava.

Pela reação do pai dela, acreditei que fossem mais unidos, e também não sabia que a maioria dos irmãos dela era de outras mulheres.

— Larissa, quem é a mãe dos meus outros irmãos? Quem é meu irmão materno? Quem são meus tios? Na verdade, como é a estrutura dessa maldita família?

Ela riu, sentou-se na minha cama, pegou meu computador que estava na cabeceira e disse:

— Que bom que nos arrumamos cedo. Temos tempo, e ainda o café da manhã.

— Oh, Deus, vai demorar tanto assim?

— Se você quiser ter conhecimento para manipulá-los ao seu favor e realizar seus inovadores planos maquiavélicos, sim.

— Gostei desse negócio de “inovadores planos maquiavélicos”. Isso me fez pensar: por que coisas más são chamadas de maquiavélicas?

— Pergunta a uma inteligência artificial depois, foco!

— OK.

— Vamos começar pelo centro da sua família. Vocês são de uma família mafiosa com foco em tráfico de armas e jogos de azar. O chefe da família é seu pai, João Rodrigues. Ele é filho de Gabriel Rodrigues, seu avô, que inclusive ainda está vivo.

Seu avô, e toda sua linhagem, vem de famílias ligadas ao jogo do bicho. Sua avó é descendente de uma família russa que contrabandeia armas, Amélia Krustrova.

O casamento deles uniu as famílias e seus negócios, e foi assim que a família Rodrigues entrou para a máfia, tentando ser reconhecida no círculo das principais famílias.

— Você está acompanhando?

— Vovó e vovô paternos se casam e formam uma grande aliança entre jogo do bicho, armas e máfia, porém a família ainda é muito nova e pouco reconhecida, tendo menos poder do que as famílias principais, correto?

— Sim.

— E minha família materna, no que agrega?

— Infelizmente, você vai ficar desapontada. Eles não podem te oferecer nenhum poder.

— Mas como não, gente?

— Vamos chegar lá. Como todo conglomerado querendo ganhar poder, Don Gabriel resolveu casar o filho com a filha de alguma família poderosa ou ascendente.

Por sorte, carisma e lábia, ele conseguiu um casamento arranjado com a filha de um influente chefe da yakuza.

— A máfia Japonesa? Que chique… mas eles não são meio extremos e assassinos?

— Isso é o submundo do crime, Luiza. Se você quer sobreviver a esse mundo, precisa enxergá-lo e não ter medo.

— Que ótima sensação saber que vou me casar com um don que quer se divorciar em três anos.

— Após o acordo, seu pai e essa Japonesa se casaram. Foi muito difícil para ela.

— Imagino. Ela não sabia a língua?

— Não.

— Nossa, ir para um país, para o centro do perigo, e nem ter a habilidade de se comunicar… pelo menos meu pai parece ser um bom marido. — PERA. — Eu não sei italiano. Será que é fácil de entender e aprender como espanhol?

— Vamos ter que trabalhar muito nisso.

— Que droga.

— E sim, seu pai sempre foi um marido incrível. Eles viveram juntos por dez anos, tiveram três filhos e duas filhas.

— Coitada dela. Passou metade do tempo grávida e a outra metade criando bebês.

— Sim, e tudo isso para viver com depressão e seu pai pedir o divórcio.

— Não acredito. Eu o teria matado e tomado tudo para mim como vingança.

— Matar o pai dos seus filhos não é algo tão fácil. A família dela até queria, mas ela acalmou os ânimos.

— Nossa, não tenho nem palavras. Por que ele pediu o divórcio?

— Porque se apaixonou por outra mulher.

— Minha mãe?

— Não, foi pela filha de uma família espanhola que conheceu em uma viagem de negócios.

— Que nervoso. Graças a Deus não foi minha mãe que irritou a yakuza.

— Realmente. Com ela, ele ficou cinco anos e teve um casal de filhos.

— E deixa eu adivinhar: terminou com ela também?

— Não, ela terminou com ele. Só dois anos depois seus pais se conheceram, e continuam juntos até hoje.

— Aehhh… mas antes que eu acredite na sua história de que meu pai e minha mãe não se envolviam enquanto ele estava casado, isso faz quantos anos?

— Eles tinham 37, agora têm 60, então fazem 23 anos.

— Quantos anos tem meu irmão mais velho?

— 20.

— Que sorte! Tenho muitas oportunidades então. Ninguém nos odeia. Se odiarem, é por situações, e dá para resolver.

— Em relação a isso, você teve sorte mesmo. Sua mãe já não tem poder. Se você fosse viver como os filhos das duas ex-esposas vivem, sempre brigando e armando uns contra os outros, provavelmente morreria.

Me arrepiei todinha.

— Mas por que minha mãe não tem poder? Por acaso a família dela foi exterminada em lutas de poder? Por inimigos?

— Não. Simplesmente são uma família simples de Pernambuco. Seus avós têm uma padaria em uma cidade chamada Belo Jardim e nunca se envolveram com sua família paterna porque acham isso errado.

— Belo Jardim realmente me persegue, que coincidência… errados não estão. Mas que droga, nasci logo da única esposa sem poder e não sou próxima de ninguém da família.

— Você não está armando com o chefe? Vai se dar bem, menina, anime-se.

— Você está certa. — falei, desanimada.

— Meninas, vamos tomar café da manhã? — disse João Rodrigues, entrando no meu quarto.

— Pai?

— Seus irmãos decidiram vir todos para seu “primeiro encontro” com Dominick. Todos respeitaram muito você ter se oferecido para se casar com ele no lugar da Megan. Você conquistou respeito, Luiza.

Sorri, mas não de felicidade, e sim de desespero. Depois do que Larissa disse, o que eu mais queria era passar despercebida, e, para piorar, ela ainda não tinha me falado os nomes deles nem como funcionava a dinâmica de poder entre todos.

E agora?



Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *