Uma nova vida~~~

Acordei tranquila. Fui tomar um banho gelado para me refrescar, e o calor que senti ao despertar deu lugar a um frescor na minha pele.

O café da manhã estava especialmente divino. Minha mamadi me fez dois sanduíches de presunto e queijo, um copão de achocolatado, e saí para a escola com o coração mais leve daquela cidade.

Chegando à sala de aula, parei na porta e observei minha turma. Alguns rostos cansados e preguiçosos. Outros animados, conversando alegremente com seus amigos. Outros que sentiam uma animação genuína com o que aprenderiam no dia — o que eu, particularmente, julgava muito.

E eu, que estava decidida a descobrir meu destino somente amanhã, nas eleições do tal presidente. Poderia ser tarde demais, mas eu sentia que, não importasse o que acontecesse, minha consciência só ficaria em paz se eu tirasse meu dinheiro apenas depois das eleições.

Mesmo que isso significasse perder tudo que construí…

— Amiga!!! — E assim o diabo chegou, me abraçando toda animada. — Você seguiu meu conselho? Não mandou uma mensagem sobre isso.

— Sai daqui, demônia. Vou ficar longe de você até amanhã, depois das eleições.

— Então seguiu o meu conselho? Não acredito, tô tão animada. Sabe quanto estão valendo as nossas cotas? Ainda bem que você também investiu na “ESTAR”, assim você pode decidir se tiramos nosso dinheiro agora ou só uma porcentagem.

— Para mim, isso não importa. Só amanhã, depois das eleições.

— Mas, amiga, quanto você colocou para estar tão relaxada? Não me diz que colocou menos de mil reais?

— Cala a boca, o professor já vai chegar.

E fui caminhando para minha cadeira, a terceira da fileira do meio. Para minha infelicidade, a cadeira da diaba que veio fumegante atrás de mim ficava à esquerda da minha.

— Você sabe que eu me endividei, né? Se isso der errado, já era. Preciso que você me ajude a não fazer um mau negócio. Eu sou a cabeça impulsiva, e você é a pensante, Layla.

— Tivesse vindo pedir a opinião da cabeça pensante antes, Daniela.

— Mas já valorizou…

Interrompi antes que ela revelasse quanto havia valorizado. Eu não podia demonstrar minha ansiedade e, considerando que coloquei todo o dinheiro do meu futuro nisso, a última coisa que eu gostaria de saber era o valor em que aquela criptomoeda estava.

— O professor já está chegando, e eu não fiz minha lição. Me passa a sua e depois a gente conversa.

Daniela me olhou petulante com seus grandes olhos verdes.

— Se você me fizer perder esse dinheiro por birra, nunca mais falo com você.

Ela me disse isso enquanto me entregava o caderno. Quase o derrubei, embasbacada. Essa diaba me meteu na maior crise dos meus 17 anos de vida e ainda se achava no direito de me culpar e criticar.

Nota mental: nunca mais fazer amizades. Essas coisas não prestam. Tô muito melhor sozinha.

Depois disso, o professor de matemática entrou, e assim se passou uma manhã. Teve o recreio também, claro, mas me dei ao trabalho de evitar Daniela me escondendo no banheiro. Ficar perto dela só me traz problemas.

Já não bastava a queimação em meu peito e minha mente pensando em repetidas desculpas para abrir a conta do banco, ainda tinha a demônia querendo me falar o quanto a moeda havia valorizado.

Bom… ao menos eu sabia que tinha valorizado.

Após a aula:

Chegando em casa, recebi uma mensagem da Daniela. Dizia somente:

“500.”

Minha mente paralisou. Ficou em branco. Senti o ar ficar mais pesado.

Em dólares ou reais? Quanto seria 500 multiplicado por 11 centavos de dólar? Em qualquer uma das moedas?

Abri meu aplicativo de mensagens com as mãos tremendo e a cabeça ardendo com a decisão que tomei.

“Não vou vender. Somente depois da eleição. Logo depois, na verdade. Mesmo que tenha desvalorizado.”

— E que Deus abençoe essa minha decisão.

Caí no chão, sentindo meu corpo tremer. Quando percebi… havia lágrimas caindo entre meu colo e o chão.

Que, por favor, eu esteja certa.

“Tem certeza, amiga?”

“Sim.”

“Então tô nessa com você. Até amanhã. Te amo.”

“Te amo.”

— Demônia.


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